Dia da Consciência Negra: entenda a importância dessa data

8 Minutos de Leitura

Dia 20 de novembro: essa pode até parecer uma data qualquer, mas ela representa a luta histórica de um grupo que sofre opressão, discriminação e abusos que, até hoje, busca igualdade de direitos em todos os setores da nossa sociedade — estamos falando do Dia da Consciência Negra!

O marco é celebrado em todo o Brasil, trazendo visibilidade a tudo o que já foi feito pelo movimento negro e nos relembrando da história do nosso próprio país. Além disso, as reflexões e os eventos que a data traz são fundamentais para nos ensinar, na teoria e na prática, como sermos antirracistas e defendermos um mundo mais justo e igualitário para todos.

Hoje, o blog da TJama te convida para um papo descomplicado sobre a Consciência Negra, sua origem e relevância, além das diferentes formas em que podemos fortalecer essa data e participarmos dessa luta. Vem com a gente?

Qual a origem do Dia da Consciência Negra?

O Dia da Consciência Negra não foi estabelecido em 20 de novembro por coincidência: esse foi o dia em que Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares — o maior da história do Brasil! — foi morto por bandeirantes, no ano de 1695.

Como um dos principais representantes das comunidades de resistência, fugidas da escravidão, Zumbi lutava pelos direitos da população negra, assim como dos povos originários, camponeses e demais minorias dentro da sociedade brasileira na época.

Sua presença era tão marcante que, mesmo após sua morte, ele permaneceu celebrado e, em 1978, o Movimento Negro Unificado se mobilizou para elegê-lo como o símbolo da resistência à opressão racista sofrida no Brasil — que, vale lembrar, acontece desde a fundação do nosso país.

Porém, foi só em 2003 que a data passou a ser instituída na Lei n.º 12.519 como o dia oficial de celebrar a Consciência Negra, feriado em diversos estados. Hoje, ele é muito mais importante que o 13 de maio, quando aconteceu a abolição da escravatura em 1888, com a Lei Áurea, já que ela só libertou os escravos, mas sem nenhum tipo de reparação, direito ou assistência por parte do poder público.

Por que precisamos do Dia da Consciência Negra?

Apesar dos mais de 500 anos de nascimento, o Brasil ainda é berço para muita discriminação racial, explícita e estrutural, contra a população negra. Celebrar o Dia da Consciência Negra é nos lembrarmos que ainda temos muito chão pela frente se quisermos uma sociedade mais justa e igualitária.

Para te ajudar a entender todo esse caminho a percorrermos, a gente separou aqui 4 das principais razões que tornam essa data tão fundamental, olha só:

1. Para combatermos o racismo e a desigualdade

Não é preciso muito para enxergarmos a diferença que ainda existe na maneira que brancos e negros são tratados no nosso país. Para começar, a desigualdade salarial, a desocupação em cargos de liderança e o cenário de desemprego pesam muito mais para a população negra, especialmente para as mulheres — que, por si só, já é um dos principais grupos de minoria do mundo.

Além disso, os cargos políticos no Brasil são, em sua maioria, ocupados por homens brancos de classe alta, enquanto os negros, historicamente marginalizados, enfrentam dificuldades até mesmo para entrarem na universidade.

Isso é só uma parcela das marcas que, até hoje, carregamos coletivamente por conta do período da escravidão. Para cada geração que nasce, uma nova luta surge junto para destruirmos cada vez mais esse abismo que existe, não só no Dia da Consciência Negra, mas diariamente.

2. Para preservarmos a história e cultura negra

Os negros e afro-descendentes são responsáveis por boa parte da formação social, histórica e cultural brasileira, desde os hábitos culinários e cotidianos até a dança, música e arte visual. Desde a colonização, muito disso quase foi 100% apagado por brancos que impõem a cultura euro centralizada em todo o mundo.

O 20 de novembro também é uma data para celebrarmos a contribuição da negritude para todos os setores da sociedade. Hoje em dia, existem até mesmo leis e diretrizes que incluem a História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas públicas, justamente para preservar esse patrimônio, mas é preciso ir além delas para fazermos a diferença.

3. Para combatermos a violência e a injustiça

Com certeza, você já se deparou com notícias de negros injustamente mortos por policiais, certo?

Aqui no Brasil, a população afro-descendente ainda é a mais abordada em ações da polícia, especialmente em favelas e bairros marginalizados, e a mais acusada e condenada pela justiça, retratando todo o racismo estrutural que torna os brancos quase que naturalmente inocentes e incapazes de cometer crimes — e a gente sabe que isso está longe de ser verdade!

Além disso, a violência também é vista no assédio moral e sexual que as mulheres negras sofrem desde o período da escravidão. Até hoje, termos pejorativos, como “mulata tipo exportação” e “da cor do pecado”, são usados para se referir à pele negra de maneira sexualizada e “comercial” para estrangeiros.

4. Para defendermos a liberdade religiosa

Sabemos bem que não existe apenas uma religião no mundo e, principalmente, que o Brasil é um país laico na constituição. Só que mesmo assim, ainda existe um preconceito muito grande contra as religiões de matriz africana e afro-brasileira, como a Umbanda e o Candomblé.

Elas sofrem diversos ataques de outros grupos religiosos e seus rituais são, constantemente, tratados como sujos por alguns. Mas vale lembrar que cada um tem o direito a viver a fé que sente dentro de si e celebrá-la da sua maneira, seja através de rezas, cerimônias e/ou festas, por exemplo.

A religião é uma forma de autocuidado (e cuidado pelo coletivo) essencial na vida de quase todo mundo. O Dia da Consciência Negra também é um momento de abraçarmos as práticas de fé de todas as etnias, raças e nações, reforçando para aqueles que ainda não veem, que elas existem e jamais deveriam ser desrespeitadas.

Como celebrar o Dia da Consciência Negra?

Diferente de algumas datas festivas que temos ao longo do ano, como Páscoa, Natal e Ano Novo, o Dia da Consciência Negra deve ser celebrado com práticas além das festas. É preciso aproveitar o momento para refletir sobre pontos, como os que vimos no tópico acima, e buscar se informar sobre as diferentes formas na qual o racismo atua, para combatê-lo.

Algumas maneiras de fazer isso são:

  • Ouvindo sobre a história e cultura afro-brasileira de quem, de fato, tem local de fala;
  • Buscando se informar sobre a verdadeira história do Brasil, longe das lentes eurocêntricas;
  • Conhecendo as diferentes formas de luta da negritude;
  • Olhando para si e compreendendo seu local de privilégio, se esse é seu caso;
  • Enaltecendo conteúdos culturais e informativos feitos por negros, como o livro Pequeno Manual Antirracista de Djamila Ribeiro — uma das mulheres mais inspiradores que temos mundo afora.

Espero que este papo tenha sido tão construtivo para você quanto foi para mim e que, a partir de agora, o Dia da Consciência Negra seja celebrado de forma ainda mais potente. Ah, e se quiser continuar a conversa, deixe seu comentário no final do texto com opiniões, informações extras e o que mais acredite que vá acrescentar ao conteúdo.

Quer continuar aprendendo mais sobre os diferentes movimentos de luta pela igualdade mundo afora? Então aproveite para ler nosso post completo sobre o feminismo e sua importância, com um guia completo do assunto!

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